domingo, 3 de março de 2013

Minha Paixão...




Terra Virtual

Quando a Tapera escorreu
das frestas de meu bornal
e nada mais restou na última curva,
bananeiras tolas acenaram-me
e, sem saudades, vim-me embora.

Não foram adeuses
que as laranjeiras daquela época e quintais
não sabiam sentimentos.
Cumpriam seus papéis apenas
em oferendas sabotadas
por sanhaços, muito mais sabidos
do que as laranjas.

Hoje, que minha atiradeira
não reconhece torcais
e os mamoeiros aprenderam
o sabor de amar(elar), é tédio agora.
Meu picuá já tão cheio!

A terra mater despenca
de cachoeiras e paredes virtuais
em close, sobre meu peito seco
e um banzo de gemidos de porteiras
chama-me: volta, volta, volta...

Francisco Ferreira

francisco.ferreira68@yahoo.com.br 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Poema de uma das etapas do II Concurso Autores S/A de 2012





Imagem: dcenadaimpossivel.word...

O poeta Está Morto

O poeta de mãos calosas
sob a pele do operário
deglute, à seco algum verso
e guardanapo;
junto aos trocados da pinga
que queima na goela
como o pó da fábrica
e, no bolso, o mísero ordenado
minguado, em combustão espontânea.
Um olho que lacrimeja,
efeitos do risco químico,
o outro é angustia da boa,
que molha e à barba por fazer
mal disfarçada por óculos obrigatórios.
Zumbis mal-sepultos
assombram-lhe a madrugada
na fila do ônibus
seus sonhos penhorados.
O barulho da catraca dita o ritmo
e marca o passo dos solavancos
onde a dama/marmita
fria e única que se é permitida
tirar para dançar
nos países em desenvolvimento.
Findo o expediente, é hora de ir à forra
no intrincado e perigoso
Jogo das putas e outras damas mais suspeitas...
e a literatura espoliada
chora a morte de um vate
último romântico
de sua espécie.



domingo, 17 de fevereiro de 2013

3º Lugar no XVII Concurso Literário Internacional ALPAS XXI




O Não Pertencimento

Não sou pertencente a lugar nenhum, cidade alguma
cidadão oco, vazio. Copo trincado
em fim de orgia, sem corpo.
Fluido, gás helio, balão incolor
vago além da atmosfera.
Divirto platéias, palhaço e louco
envergonho a família, a classe, o povo
a humanidade inteira.
Enlouqueço a Tradicional Família Mineira
com meu sotaque carregado de uais,
pensamentos singelos, mas elegantes,
um tigre a desfilar seu garbo
entre búfalos e elefantes.
Não me querem assim, não me querem vistoso
pavão, garanhão marchador. Assim não me querem
os pais, os avós, professores, o pároco, o prefeito.
também a primeira namorada, o boi que rumina ao largo
o coelho a espiar dum buraco do chão, todos
me querem simples, um inseto, uma tábua
um alfinete ou um dedal, inofensivo, insignificante .
Deslocado, anacrônico, insípido.

Mas qual, se não me permito a doma,a  arreata,
tampouco a ordenha, cintos a estrangular libidos.
Sou livre, sou leve, sou gás...

3º Lugar no XVII Concurso Internacional de Poesias, Contos e Crônicas da Associação Artística, Literária e Multiprofissional "A Palavra do Século XXI" (ALPAS 21) - Cruz Alta (RS) - maio/2012.

Francisco Ferreira

francisco.ferreira68@yahoo.com.br


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Finalista Concurso Maricá Prosa e Verso




Lenitivo
A vida é dor
Nasce-se com ela
Estratificada, pregada...
Somos jogados no mundo
Á nossa própria sorte e arbítrio
Assolados por tentações e intempéries.
Recebem-nos mãos estranhas
Frias, em ambiente hostil.
O oxigênio nos caustica
Nem bem sugamos o colostro
E já nos querem vestir
Limpar, apalpar, furar.
Monta-nos o cocuruto, o diabo,
A sorrir de nossas desgraças
E nos desviar do caminho
Viciar, seviciar e escarnecer!
E, ao Coxo, alinhados pais, professores
O pároco, a polícia e as putas;
Psicólogos a nos “desenquadrar”
E o soldado, que nos enquadra.
O papa excomungando e todo o clero
Que nos exorta a viver acordes
A uma doutrina carregada de medos
Castigos e condenações
Até a dor ser tamanha, que morremos!

Ou nos enveredamos pela poesia...


Classificado entre os finalistas do Concurso Maricá Prosa e Verso em novembro de 2012, conforme e-mail recebido da Comissão Organizadora do Concurso em 20/11/2012.

Francisco Ferreira

francisco.ferreira68@yahoo.com.br


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

3º Lugar no Concurso Libério Neves de Poesia




Brasilidade

Meu sangue mestiço, de latinidade pura
é viscoso feito óleo, é pegajoso visgo de jaca.
Alguns elementos químicos estranhos o contaminam
resquícios de algum malogrado bem-querer,
saliva e sódio do sal do último churrasco.
Alguns gramas de chumbo de emboscadas atravessadas incólume,
sebo de carneiro de ferimento antigo,
óleo de Copaíba, mercurocromo, mertiolate e sulfa
e porções de substâncias proibidas.
Espesso como cheiro de fêmea, denso de florestas tropicais.
Gotículas, aqui e acolá, de revolta, ira e desespero.
Um tantinho de bile, cachaça e fumaça de charuto
de despacho que, distraído, derribei em esquinas suspeitas.
Maleita não tem, AIDS, tifo, tuberculose, diarréia também não.
Quiçá cocos de doenças de rua...
Tem desejos meu sangue, traços de canto inconcluso,
rastilhos de poesia e o eterno tédio dos homens comuns
e o banzo ancestral, além de acordes de banjo...
Tinta de carimbo de alguma repartição, e um bom bocado de burocracia
descrédito e desconfiança asco e terror.

É um sangue comum, destes que não fedem nem cheiram,
mas que deságua, de geração em geração,
em brasileiros obstinados!

3º Lugar no Concurso Libério Neves de Poesia da Associação Comunitária de Moradores de Conjunto Califórnia (Belo Horizonte- MG) em outubro de 2012.

Francisco Ferreira

francisco.ferreira68@yahoo.com.br





sábado, 29 de setembro de 2012

Finalmente Boas Novas! II




Prezados participantes!
Abaixo segue a lista dos escolhidos para fazerem parte do nosso livro de poesia. Registramos que foi uma honra nos depararmos com tão bons trabalhos. Isto nos faz continuar acreditando que o Brasil tem um potencial intelectual excepcional, apesar do precário incentivo à educação e à cultura.
Nossa expectativa era abranger apenas a zona sul da cidade de São Paulo, visto que nosso veículo é um jornal de bairro. Mas, para nossa surpresa, tivemos participantes de outras cidades do estado de São Paulo, dos estados do Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Bahia, Pernambuco, Paraná, Distrito Federal, Mato Grosso e de países como Portugal e Japão. Ao invés de regional, o concurso alcançou o âmbito internacional. Isto valoriza o trabalho dos autores escolhidos.
Para nós, estes fatores foram motivos de grande alegria e por isso só temos a agradecer a todos os participantes e, registramos, aqui, nosso incentivo para continuarem escrevendo, se aprimorando, porque todos, classificados ou não, têm muito talento.
Aproveitamos a oportunidade para nos desculparmos pela demora na divulgação dos nomes classificados, mas esta se deu em virtude da quantidade de trabalhos inscritos. Além da abrangência inesperada, muitos participantes inscreveram cerca de 100 trabalhos próprios. Para estes, vão nossos votos de que em breve tenham a oportunidade de lançarem seus próprios livros, pois já têm bagagem suficiente para isto.
É com tristeza que informamos que muitas excelentes poesias foram desconsideradas, porque seus autores não as inscreveram em conformidade com o que pedia o edital e por este motivo foram sumariamente desclassificados.
Outrossim, informamos que:
1- A lista a seguir está em ORDEM ALFABÉTICA e não por ordem de classificação.
2- Alguns destes classificados tiveram mais de uma poesia escolhida.
3- O nome dos 03 primeiros colocados será publicado posteriormente.
4- Reorganizaremos nossa agenda e informaremos no site a data de lançamento do livro.
Parabéns a todos!
Jornal Leitura do Bairro.


Francisco Ferreira


Finalmente Boas Novas!

O segundo semestre já está em sua metade e a literatura e eu não estamos falando a mesma língua. Mas, finalmente, uma notícia boa: em breve será lançada a antologia de contos da Big Time Editora com o meu conto: "A Cidade das Rosas Artificiais". 

Esta é capa da antologia SANGUE, SUOR E PALAVRAS MAL DORMIDAS - vol. 3.

Francisco Ferreira

franscicco.ferreira68@hotmail.com